Segunda-feira, Outubro 31, 2005

HÁ DIFERENÇA



"Entre tanta gente chata e sem nenhuma graça, você veio. E eu que pensava aue não ia me apaixonar nunca mais na vida..."
[Não vá embora da Marisa "Onipresente" Monte]


.::. De todas as tentativas que eu tive para tentar falar de amor, eu falhei. Falhei em todas porque sempre fui muito afetiva quando estava longe e muito fria quando estava perto; porque sempre achei que as pessoas erradas eram as certas e as certas não existiam. Fiz cafajestes se tornarem príncipes encantados nos meus delírios adolescentes fantasiosos que só conseguiam fantasiar como seria a vida de uma menina pura, doce, rosada e sem graça, que eu, Rani, nunca fui.

E eu espantava os caras perfeitos porque eu posso ser tudo nessa vida, menos perfeita. Porque eu sei fazer cara de blasè, mas na maioria das vezes eu faço é cara de nojo mesmo e cuspo pra fora todas as merdas que cuspiram em mim antes, evitando assim morrer de úlcera, morrer de tanto engolir e engasgar com as mesmas merdas que todo mundo engasga enquanto finge que é normal. Eles continuam tossindo com a mão na frente da boca, e eu continuo vomitando minhas verdades por aí, espantando o bíceps robusto e o cabelo com gel pra longe de mim.

Passei um tempão incontável da minha vida achando que por mais que eu me esforçasse, eu nunca seria capaz de achar alguém que agüentasse a minha presença porque eu sou mal-humorada e meu cabelo não é tão liso quanto parece. Tinha medo de ser muito forçada na hora de atrair alguém, e acabar repelindo essa pessoa quando ela descobrisse que de noite eu sentia solidão e enfiava meu travesseiro entre as pernas pra preencher um vazio que os babacas do sábado a noite nunca preencheriam. Porque eu sempre me fiz de moderna, mas nesse lugar só o travesseiro tocou antes de você chegar.

E você chegou de repente com o seu jeito de risada rosada de quem não sabe onde enfiar a cara quando alguém fala algum absurdo. Eu sempre falando tantos absurdos pra você, te deixando vermelho, quente, meio tarado pela idéia de me ver brava de novo, fazendo charminho pras coisas que tanto eu quanto você sabemos que eu acabo por ceder. Pra você, sempre. Me arrepiou do dedo mindinho do pé até o fio do ponto mais alto da minha cabeça, e eu tive certeza absoluta que não eram simples formalidades dessa vez, que não ia ser fugaz e fútil e que era "bão", era "bão".

O seu jeito -- que eu sempre achei que era o exato jeito que brigava com o meu -- me completou de uma forma que eu não consigo falar, porque toda vez que eu tento, percebo que minha boca está ocupada de você e que as horas passaram sem que eu nem ao menos ouvisse a porra dos sininhos tocarem ou as nojentas das borboletas voarem dentro de mim. Os sininhos não existem e eu sempre tive asco do corpo de inseto da borboleta, aí eu resolvi deixar de ser a idealizadora da felicidade glamourosa pra ir viver o gozo da vida simples que eu sempre ignorei.

Cansei de andar nas pontas do pés e resolvi andar de pé inteiro, no chão, no barro, no barranco. Despenquei e caí lá em baixo: totalmente de quatro por você.Tão brega na minha paixonite que não ligo pra nenhuma das besteiras que eu ligava há dois minutos atrás. O tempo vai mudando rápido e a felicidade não poderia ser mais real e presente nas nossas tantas diferenças.

Obrigada, cowboy.
[Rani Ghazzaoui]


.::. Eu estou feliz, e isso já diz tudo.


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Sexta-feira, Outubro 21, 2005

METADES



"...eu deveria já ter tomado uma decisão quando à ele. de colocar um ponto final na verdade, não porque eu quero, mas porque era melhor, só pra aliviar a possivel dor dele de fazer isso. não fiz porque na verdade não é o que eu quero, nem o que tenho coragem de fazer, por medo de te machucar, sim. agora toda essa coisa de ficar evitando evitando evitando... se está evitando alguma coisa é pra ele, não pra mim.
mas eu sei porque eu não fiz isso ainda... porque não queria ser mais alguma coisa que acabasse assim na vida dele: irresolvida, inacabada e incompleta."

[Trecho de um post fodástico da Line, minha shooshoo número 0]


.::. Antes era bem fácil pra mim, me concentrar perfeitamente na pessoa que estava na minha frente e fazer aquele momento se tornar perfeito mesmo em meio a todas as imperfeições que egos confusos e cabeças infantis podem causar na vida de alguém. Era justamente a infantilidade das ações que me fazia ser tão profunda, tão verdadeira e tão leve. Eu estava lá e estar lá era tudo o que eu podia querer no mundo. O amor de quinze anos que tinha vergonha das suas curvas e medo das mãos bobas, o amor que saía escondido de casa e voltava com frio na barriga e não entendia o que era aquele aperto no meio das pernas, o amor que não conhecia -- ou talvez só não reconhecia -- o tesão.

Antes era bom porque eu amava sem ter dúvidas de que era amor e sofria uma coisa estranha e doída, que me custava lágrimas abafadas pelo meu travesseiro da pequena sereia e o meu diário cheio de recortes de boys band que eram tudo o que eu entendia por meu mundo. Meu mundo era amar você e sofrer você, não necessariamente nessa mesma ordem.

Só que um belo dia você cansou de ser o universo inteiro de uma menina que, até então, não passava mesmo de menina. E foi embora. Levou metade do meu discernimento e da minha vontade de viver. Levou embora metade das minhas juras de amor, das minhas mãos dadas com o tempo, do meu afeto, da minha sinceridade. levou embora um pouco da pureza, metade da certeza que eu tinha que eu fui especial e que a nossa história de dois anos ainda iria durar muitos outros.

Eu cresci totalmente alheia ao que acontecia na sua vida, e isso foi uma escolha própria de quem queria sofrer em silêncio depois de ter passado dois anos chorando pra quem quizesse ouvir e sentir pena. Eu fugi da pena mortal de gostar de você e fui levando a minha vida pra rumos que confundiam a busca pelo amor completo com a busca pela putaria completa e aí eu me confundi na metade do caminho.(...)E fui uma adolescente complexa com meias dúvidas escondidas em curvas inteiras e fui caminhando pra minha emancipação a passos confusos de quem caminha com muitas pessoas buscando em todas elas a metade segura que um dia você levou de mim.

E hoje está uma bagunça. Há as pessoas todas, e o amor e a putaria. Há meu medo de estar errando, a minha vontade de estar acertando e a minha dúvida de estar ficando igual à você era quando eu não consegui perceber a sua metade filho da puta. Há balanço e há graça, mas não há naturalidade porque um dia você fez o favor de levar toda a que eu tinha com você, sem deixar metades remanescentes.

Às vezes eu tenho medo de mim, e isso eu devo à minha metade inspirada em você.
[Rani Ghazzaoui]


.::. Um bjo pra vocês, minhas crianças!


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Segunda-feira, Outubro 10, 2005

EU SOU MESQUINHA



"Nem tudo que parece não é, nem tudo que reluz não é ouro. Não escolher já é uma escolha, falar também é uma ação e o pensamento nem sempre é rápido. A previsão do tempo não acerta corretamente, a notícia não é a verdade e a estrada nem sempre é o caminho. O atalho é o meio mais rápido mas não significa que seja o mais fácil, assim como nem sempre o barato sai caro. Nem toda fuga é para a liberdade, nem todo namoro te aprisiona.(...)Nem todo desenho é arte, nem toda arte é feita por um artista. Nem tudo é relativo meu caro gênio."
[Trecho de "Você errou Einstein", do meu querido amigo Tomzito Babe]


.::. Aquele dia foi fácil ver transpirando de você que dentro de mim ainda não era daquele jeito que eu achei que já fosse finalmente. Eu fiquei meio caída de lado, tombada na minha incerteza e pensando por que diabos eu não conseguia manifestar os sentimentos nas horas certas, por que é que sempre que eu tentava amar alguém, eu percebia que mesmo em meio a tantos surtos de solidão, eu só conseguia mesmo era amar a mim mesma.

Aí eu me senti mesquinha e com um pouco de vergonha de pedir tanto por uma coisa, que quando finalmente chega, eu chuto pra longe. Só que daí suas mãos vieram pra minha direção e o meu asco do teu cheiro de homem másculo foi tão grande que eu esqueci que a barba mal feita me causa arrepios e sussuros, e quis logo sair correndo daquele carro, daquele cheiro, daquela boca que já deu o que tinha que dar -- mesmo sem ninguém ter dado nada ali.

E a noite continua sendo uma ofensa pra minha vontade não cumprida de virar lobisomem, mas não consegue ganhar da ofensa que os meus sonhos conturbados e felizes durante a noite são para a minha vida morna a partir do momento em que eu abro os olhos de manhã. E a pele vai ficando mais grossa, as palavras mais grossas, as maneiras mais grossas, as pernas mais grossas de tanto chocolate e tesão reprimidos.

Eu reprimo dentro da minha estranheza todas as minhas vontades e elas vão se acumulando umas em cima das outras, se copulando com os meus medos e fazendo transbordar por todos os meus buracos a verdade que nunca é dita, mas que eu sei que está lá latejante, esperando ser cuspida pra fora antes que vire úlcera.

E eu não tenho medo de não conseguir dizer essa verdade pra você porque eu já entendi que não adianta forçar um momento qualquer, num carro qualquer, com uma pessoa qualquer. O que eu tenho medo é de querer tanto, mas tanto e tanto e sair por aí querendo muito e passando vontade demais. Porque eu não quero morrer de vontade de mim, ainda mais quando estou com você.
[Rani Ghazzaoui]

.::. Beijos grandes.


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Sábado, Outubro 01, 2005

DE TUDO O QUE SERIA...



"...Intenções soltas e desejos desconexos. Esse mistério todo é uma violência contra a minha inteligência. Sejamos diretos para não sermos idiotas: eu te quero. Você me quer? Não sabe? Ah, então vá pra puta que te pariu. (E vá ser vago na casa da sua mãe porque embaixo da sua manga eu não fico mais!)..."
[Tati Bernardi]


.::. Eu sentei aqui hoje pra escrever esse texto com um pouco de medo do que poderia sair escrito nesse papel na minha frente. Às vezes as palavras gritam dentro de mim muito mais forte do que a minha própria razão e a minha própria lógica. Eu preciso escrever porque escrever me faz sentir viva e eu preciso parar de escrever tanto porque a cada palavra que eu cuspo pra fora da minha cabeça arrependida, tem alguma coisa muito bonitinha e muito inocente que vai morrendo dentro de mim. É por escrever demais que eu estou conhecendo esse bicho estranho que vive dentro desse corpo de menina e percebendo que, talvez, já não haja mais nada de menina por aqui.

Tem dias que eu acordo com uma imensa vontade de ser mais natural e pensar menos antes de dar qualquer passo ou responder qualquer e-mail ou dar um telefonema no meio da madrugada porque eu estava com vontade, porque eu estou com vontade, porque eu vivo passando vontade de fazer coisas que alguém por aí me disse que eu não podia fazer e eu, idiota, acreditei e fui levando a vida assim, só na vontade. Mas aí tem outros dias que eu acordo feia e quero enxer minha cara de pó pra esbranquiçar o encardido da liberdade, e de blush cor-de-rosa pra mostrar que eu sou sadia e ainda posso ser uma bonequinha quando eu quero.

Eu penso em cada milímetro das minhas atitudes porque se eu for despojada demais você vai fugir de mim com medo que eu fuja, antes, de você; e se eu for muito docinho-de-côco você vai fugir de mim antes que eu te deixe hiperglicêmico com tantos recadinhos, e carinhos, e "inhos" que vão fazer você querer que eu vá tomar no meu cuzinho, bem longe de você.

E você é muito vago, porque você não existe. Eu crio você todas as noites antes de dormir com seu cabelo ruivo, o peito do Daniel, os olhos Bruno, a pele alva, o cabelo castanho, os braços do Rodrigo e a barba mal feita do Felipe... Eu crio você em centenas de vocês diferentes porque a idéia da mesmice me assusta tanto que eu afugento todas as pessoas que se aproximam de mim para, depois, eu poder reclamar que estou sozinha.Eu impossibilito todas as possibilidades e fico agindo de forma repetida, persistindo nos mesmos erros e chorando o mesmo choro de quem não sente mais nada, mas continua fingindo muito bem.

E a minha veia artística se expressa muitíssimo bem nos dias em que eu quero fingir estar gostando, e fingir estar contente, e fingir que me divirto quando tudo não passa de uma noite e nada mais. Acontece que o romance vem se infiltrando pelas frestas mais pífias e quando eu me dou conta eu estou fugindo de novo da possibilidade e alegando que você não quis ficar comigo. A necessidade de ser amada entre o quente do beijo e o vácuo da separação das bocas se junta com o eterno medo que eu tenho de ser amada e aí eu tremo, e sinto frio, e minhas bochechas queimam porque o tesão é quente, mas a espera pelo acerto é torturantemente fria.

E eu acabo idealizando muito o passado, esperano muito do futuro e conseguindo viver pouco do presente, simplesmente pelo fato de que eu passo a maior parte do meu agora pensando em tudo o que seria e não é.
[Rani Ghazzaoui]


.::.Boa semana pra vocês, crianças!
Um beijão.


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