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FÉRIAS FELIZES MODO ON [OFF]
"Porque hoje eu vou fazer. Ao meu jeito eu vou fazer. Um samba sobre o infinito."
[Marisa Monte]
.::. E foi cansada de tantos papéis, e letras, e telas de computador, e pessoas repetidas na minha frente que eu me arrumei cuidadosamente e fui trabalhar um outro lado de mim que há muito estava esquecido: o da badalação. Não, não era uma badalação qualquer, eu não estava indo à guerra e nem tampouco saindo para ferver horas seguidas em uma pista fumacenta de dança e voltar pra casa fedendo a cigarro e pessoas fúteis. Futilidade por futilidade eu me contendo já com a minha.
Saí do aconchego do meu lar em uma terça feira fria não pra mostrar meu decote pros babacas de bíceps 45 e cérebro -30. Levantei minha bunda gorda da cadeira amassada onde eu passo horas escrevendo bobagens para ir à um lugar calmo, com amigos que eu não via há tempos, pelo simples e jenuíno prazer de estar com pessoas que me faziam bem pelo simples fato de existirem. Tudo naquela terça feira era simples, e eu não estava com a mínima vontade de começar a complicar...
A primeira surpresa da noite foi me sentir prefeita em um lugar onde eu supunha não conehcer ninguém; há dias em que, simplesmente, você não quer forjar sorrisos e ser simpática para a multidão, mas incrivelmente, naquele dia os meus dentes estavam querendo se mostrar pra qualquer pessoa. Qualquer mesmo. Havia uma felicidade sussinta e ao mesmo tempo que eu me assustava eu não sentia a menor vontade de me questionar sobre a minha súbita troca de humor -- enquanto eram risos e não lágrimas não havia motivo para nem ousar um questionamento filosófico; foi por filosofar demais que acabei amargando alguns doces momentos da minha vida.
Depois veio o cara boa pinta, bem educado, simpático, lindo, lindo, lindo; o genro que minha mãe pediu à Deus. Deus por Deus eu prefiro os de carne e osso e, pela primeira vez em muito tempo, eu não tive medo de acreditar no que uma pessoa -- com uma coisa que eu não tenho no meio das pernas -- me disse na primeira conversa, num balcão de bar praiano por horas à fio. Lá no fundo o meu anjinho chato dizia pra eu ter cuidado, mas aqui mais perto da derme o diabinho dizia que se fosse tão ruim assim ele ficava com o bofe pra ele; aí resolvio mandar os medinhos pra puta que os pariu e me jogar nas coisas boas que estavam na minha frente sem ter medo de quebrar a cara de novo.
A realidade era explícita e a ilusão não conseguiu passar perto da minha cabeça naquela noite de inverno: o cachecol esquentava minhas palavras e os afagos aqueciam meu coração. Eu era menina feliz como há muito tempo eu não conseguia, eu era boa companhia como talvez eu nunca houvesse sido, eu era simplesmnte eu mesma, sem máscaras, sem fingimentos, sem as mentiras expansivas que tentavam enganar tão somente à mim, sempre. Eu era uma pessoa sem esquizofrenias na frente do espelho, eu era o próprio espelho da minha alma, eu era tudo o que me faltava ser diante de alguém que eu quisesse que fosse meu. E não é que eu era feliz pra sempre porque eu cansei de longividades inventadas e finais felizes de mentirinha; mas eu era feliz naquele momento e você era tudo o que eu queria ter pra poder escrever na minha redação de boas férias.
[Rani Ghazzaoui]
.::.Boa semana! Bjos.
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