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AS PESSOAS SÃO MENTIROSAS, E AS VERDADES SÃO DISTORCIDAS.
"Everybody's empty and everything's so messed up..."
[Puddle of Mudd]
.::.Mesmo as pessoas que tentam parecer o mais normais que conseguem, mesmo os burocratas engravatados do fórum, mesmo as mães de família com sorriso no rosto e avental na cintura, mesmo eles, esse povo plastificado de mão no bolso e sorriso amarelo no rosto cheio de botox pra esconder a verdade, mesmo eles têm os seus momentos psicopatas.
E eu não sou lá o que se pode chamar de senhora do bom senso e, menos ainda, de rainha do auto-controle. Eu sou e sempre fui a escandalosa que grita, a desajeitada que senta de perna aberta, a sem noção que fala o que pensa na cara de quem não quer nem saber. E é óbvio que o meu jeito agrada a muitos e desagrada a vários; e que, eu, como uma moça da sociedade -- puritana de meia tigela com orgias à lá franciscanas -- devo carber-me dentro de mim a cada vez que um impulso convulsivo de voar no pescoço do qüinquagésimo filho da puta que me engana corre por dentro de mim. Eu devo ficar estática e nula, esperando pacientemente que o próximo palhaço de ombros largos venha fazer piada comigo de novo.
E não importa se as unhas cortam a palma da minha mão de tanto que eu fecho o punho. Não importa se o choro prende minha garganta e eu fico roxa asfixiada por tanto cinismo. Não importa o quente do meu rosto que me sua as costas e me faz mijar nas calças.
Só o que importa é o corpo duro e imutável, a minha eterna espera por alguma coisa que, no fundo, eu sei que não vem. Mas daí eu paro e me pergunto: e a minha vontade incomensurável de socar essa sua boca cheia de beijos falsos e de mentiras bonitas? E o sangue pisado nos meus olhos de querer arrancar devagar de você cada dor que você causa a outras pessoas? E a minha raiva irritante que me tira o sono por eu simplesmente ter que ser a menina normal e não poder vomitar meu ódio em você?
Porque todos vocês são iguais e não é justo que eu tenha que ser igualmente imbecil esperando que um dia vocês cresçam e parem de falar asneiras. Não é justo que eu tenha que envelhecer vendo que vocês simplesmente não envelhecem um mísero ano, ou uma semana, em vocês não envelhece nada. Não é justo ver que a porra das brincadeiras sem graça envelhecem tão somente a mim. Não é justo ter que ver cara de pau atrás de cara de pau e ainda fingir que sou uma simpatizante da peroba.
Eu odeio essa sociedade machista do caralho que fode com a vida de meninas que querem falar. Mas eu odeio mais ainda essa porra de feminismo que simplesmente acabou com o romantismo e o cavalheirismo dos homens. Eu odeio querer berrar os meus pulmões cansados e só poder sussurrar as minhas verdades enlatadas. Mas eu odeio mais ainda a sensação de frustração que é saber que por mais que eu odeie, que eu soque, que eu xingue e que eu grite, nada nessa merda de cabeça infantil de vocês vai mudar, e a minha única saída vai ser mesmo continuar brincando de estátua enquanto eu vejo a vida passando por mim.
[Rani Ghazzaoui]
.::.Post de fúria yeah, yeah, yeah. Ouçam Blurry do Puddle of Mudd, é bem bacana.
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