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JUREI QUE NÃO IA MAIS. MENTI.
"...Ele saiu do carro envolto numa atmosfera de cervejas e fumaças já digeridas e outros tantos desejos que não iríamos mais digerir. Eu fui embora, tendo certeza mais uma vez de que nunca sou eu que vou embora."
[Tati Bernardi]
.::.E eu posso ficar aqui horas e horas falando. E eu posso fingir que sou descolada e que a solidão não me amedronta. e eu posso criar um universo paralelo cheio de sonhos para fugir da realidade. É, eu posso me enganar o quanto eu quiser, o quanto eu conseguir, o quanto for possível. Eu posso falar pra mim mesma, contar aos meus amigos, gritar para todo mundo ouvir. Eu posso, eu posso, eu posso.
Tanta posse de alguma coisa que não tenho, e que por mais que engane à todos -- e que engane à mim mesma -- não vou passar a ter.
E não é de hoje que me preocupo, e que em contrapartida não faço nada para mudar. É medo de ficar sozinha, de viver sozinha(...), amar sozinha como tantas vezes amei. Amor de perdição, amor de mutação, amor de doação, doação e pouca volta. De amar tão depressa, e dar logo o nome de "amor"; paixões platônicas e dorezinhas crescentes se instalaram em mim.
Uma malária sentimental. Tuberculose das idéias. E que se dane o romance besta!Não sei amar...paradoxo na minha cabeça. E sair a cada dia com um, na esperança de achar um pouco de você nele. Te procurando em cada bíceps, em cada barriga lisa, em cada cabelo jogado, em cada beijo ousado que não é seu. Fico eu aqui procurando em outras bocas, todas as palavras que eu quis ouvir você dizer.Tento achar nos filminhos patéticos o romance que tivemos e você nunca soube.E para me sentir menos usada, romantizo até o jeito dautônico que você me olhava -- sem enchergar minha cor --, aquele olhar de cansaço que eu, deitada no seu peito, insistia em fantasiar que era amor.
Você é um idiota. É um babaca cretino e sabe disso. Você frustra todas as expectativas que eu já tive em relação à alguém pra mim. E mesmo assim é em você que eu penso, é de você que eu lembro, é pra você que eu volto...sempre. Volto, eu, toda vulgarizada, de quatro. de cara, de corpo -- tão mais corpo -- e alma pra você.
E você? Você grune uma palavra, esboça um tesão, engasga um gemido. E eu com esperanças achando que posso mudar você. Você com sua típica cara de quem pouco se importa.
Tão simples é você. Tão previsível sou eu...
A vergonha que me dá de assumir que cair por alguém tão pífio, é oprimida no apertão que você me dá sem cerimônia assim que me vê. E o romancezinho cinematográfico, que em sempre sonhei pra mim, vai embora no bater de portas, na madrugada de verão, no tereré pela metade, no lençol amassarocado, aquela mancha no colchão.
E você, meu romance ideal, é tanta futilidade, é tanto egocentrismo, é tanta habilidade, é tanta idiotice, que me odeio a cada madrugada, a cada abrir de olhos, a cada suspiro mais longo, a cada toque no meu corpo que ainda me remete à você.
Por que você não sai de mim?
[Rani Ghazzaoui]
.::. Beijos!
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