Sábado, Outubro 30, 2004

PORQUE SÓ PODE SER A LEI DE MURPHI...



"I'm walking after you..."
[Foo Fighters]



.::.Bom... não adianta nada, absolutamente, eu tentar dizer pra mim mesma que sei viver sozinha e que não sou mais a menina carente de ontem. Que vou acordar linda, leve e cheia de expectativas que não envolvam uma segunda pessoa, e que, por isso, não vão ser expectativas transformadas em fatos.

Mas eu estou aqui...aqui toda estática e, sim, sozinha como sempre. O engraçado é que, dessa vez, não me sinto mal. Sinto atmosferas diferentes,ares que nunca respirei. É estranho porque há um frescor em mim que não cabe na situação. Eu devia estar desesperada, cambaleante e altista atrás daquele amor que eu sempre idealizei q que nunca chegou. Eu devia chorar as minhas lágrimas diárias para me remeter ao meu estado de espírito rebaixado. Eu devia balançar a cabeça e me sentir coitada só para não perder o costume.

Eu devia...mas não é isso que ando fazendo. Ando sendo a menina que já não vê graça em relacionamentos passageiros, que não tem mais paciência para tantos fuckin' friends. Sou a menina que ocupa a cabeça com outras coisas pra não lembrar de relacionamentos falidos de novo, e o pior, de tentar ressussitá-los.

Parece bom ao se ouvir não? Sim, parece, porque falando tudo isso de uma forma tão sutil, fria e madura, até consigo passar a falsa impressão de que já estou emancipada... mas é mentira.

É, às vezes eu costumo mentir. Minto pra todos eles... os meus sentimentos. E engano os outros... os meus sentidos. É...eu sou louca, eu sei.

Fecho meus olhos porque não quero enchergar que ainda estou sozinha. E abro a minha cabeça para o mundo, me fingindo de moderna, me fazendo de garota cool que não liga de ir tomar um capucchino sozinha numa sexta feira à noite.

Ai de mim que idealizo romances...ai de mim que crio falsa expectativas sobre o futuro...ai de mim que ainda sonho, infelizmente, com todas as baboseiras bonitas e com a casa de cerquinhas brancas.
[Rani Ghazzaoui]



.::.Muitos beijos, crianças!


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Sexta-feira, Outubro 08, 2004

MUITA LUZ E MAQUIAGEM PARA OFUSCAR A FALTA DE COR DO CORAÇÃO ESTAGNADO




"...Os anos passaram e, apesar de ter mudado de janela muitas vezes, continuo espreitando por trás de cortinas. E as meninas continuam tristes."
[João Paulo Cuenca]



.::.Escrevo por desespero, mas também por comodidade. Escrevo porque palavras grafadas são tão mais fáceis de serem espelidas quando as comparamos com aquelas que temos que falar. Dez dedos nas mãos, e apenas uma boca no rosto. Emudeço as palavras da realidade para desenvolver a caligrafia que tenta explicar o porquê de tantas peculiaridades nessa minha mente tão instável.

Não adianta conversar porque a conversa sempre acaba na mesma coisa, no lugar comum, no mesmo ciclo em que caio sempre e não consigo sair. Não adianta eu falar de amor com quem não tem propriedade nenhuma do assunto, com quem acredita que amor seja sinônimo de posse, com quem não sabe se entregar. Não adianta insistir em relacionamentos falidos, menos ainda investir em outros, namorar por namorar, e depois falir esses outros relacionamentos também.

Na dúvida do que fazer, acabei me estagnando no meio da encruzilhada. Olhando desesperada com medo de ser atropelada de novo; mas olhando paralítica, imóvel, estática...de medo e de preguiça. Sim, preguiça.
Falta de vontade de me arriscar atravessando a estrada de novo, com medo de me arrepender mais uma vez ao chegar do outro lado da rua. Medo de ser abandonada de novo; não há nada no mundo que me amedronte mais do que a solidão.

Entretanto tudo não passa de um grande paradoxo. Paradoxo porque já estou só. Não adianta fingir naturalidade, já não sou mais a menina natural. Escondendo-me atrás de sorrisos e pancake sem saber pra quem sorrio. Não adianta tentar mais uma vez, eu já sei como vai ser o final de tudo isso.

Não adianta falar pra você ficar, porque nem mesmo eu sei se quero que você realmente fique.
[Rani Ghazzaoui]


.::.Por hoje é só, pessoal...


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